Postado em: terça-feira, 22 de setembro de 2009 - 21:54
22
set

salgando-dem6nios

Certa vez, estava viajando rumo a praia, sozinho, meio desesperado e sem rumo. A única coisa que pensava era na maresia, o cheiro e a sensação de estar em contato com a Natureza, pura. Não para aliviar a alma mas sim para desafia-la.

A Natureza não é boa, desgraçado é o que pensa  que o estado puro da alma é se desprover de seus bens terrenos e poder apreciar algo natural, deduzo isso pelo simples fato de não conseguir viver sem mimos modernos. Costume? Criação? Então coloque qualquer defensor naturalista pelado em uma selva qualquer e veja quanto tempo ele dura, bando de hipócritas.

Temos algo que nos PERMITE progredir, nossa capacidade de raciocínio foi feita para se usada, a evolução é eminente, e bate a porta todos os dias. Salvar o planeta é uma atitude idiota. O planeta já estava aqui antes de nós, e vai continuar depois de nossa existência. Só mesmo um ser muito involuido para pensar que vivendo no minimalismo é que Deus vai ficar menos bravo. Pode soar um tanto quanto controverso, mas nunca foi meu objetivo convencer ninguém tão pouco a mim.

Minha jornada a praia era uma jornada interna para libertar meus demônios na água salgada do mar, estava atordoado com minha vida. Tenho uma vida invejável. Um bom emprego, uma boa família uma casa com piscina mas nada disso satisfaz os meus reais desejos. Não canso de falar que trocaria tudo o que tenho por um pedaço de amor verdadeiro.

Repentinamente o carro passa por algum problema e tenho que encostar, minha raiva cresceu de uma forma incontrolável, o que me restou foi caminhar, a única maneira de espairecer, depois de 5 km lembro que esqueci o carro destrancado, e isso já nem me importa. Tirei meu terno, estava com calor, e já tão desnorteado joguei-o no acostamento sujo se lama. Nada é mais gratificante que a sensação de uma brisa. Tirei também os sapatos.

Nesse momento uma tempestade sela a minha raiva pela Natureza. Em meio a tempestade já torcia por uma ajuda divina, um raio seria uma forma elegante e controversa de acabar com tudo.

Não passava ninguém na estrada, nem perdido mais eu sabia se estava. Nada importava. E é nesse momento, de completo desespero temperado com uma pitada de mágoa e umas gostas de desesperança é que as coisas simples tomam uma dimensão enorme.

Avistei uma pequena cabana, dessas onde se compra frutas na beira de estrada, fui levado sem pensar para o abrigo, lá chegando notei que seu vendedor não passava por ali a muito tempo. Foi quando uma carta devidamente dobrada e colocada encima de uma velha mesa me chamou atenção. Em um primeiro momento pensei que aquela carta não era pra min então não tinha nenhum motivo para lê-la. A tempestade aumentou. Acendi um cigarro, e com a luz do isqueiro pude ler na carta: “A quem interessar” e sinceramente com todos os meus problemas não era mínimo o meu interesse, mas não restava mais nada a se fazer, foi quando tomei coragem e com a pequena chama comecei a ler mais ou menos o seguinte:

A quem possa interessar, aqui estão registrados meus últimos pensamentos. Minha vida foi um desperdício. Percebo que eu ainda não estou preparado para esse mundo. Viajei para muitos lugares, estive nos melhores restaurantes tive os melhores prazeres carnais que um homem pode desejar. Estudei 5 idiomas, fiz durante 13 anos aulas de piano e violino, escutei a voz de Deus traduzida por seus arcanjos terrenos. Fiz da arte uma profissão, e da profissão uma reputação. E por Deus, o que mais eu poderia desejar? Foi quando fui agraciado com o amor de uma mulher indescritível, e mais que aparentava ela era meu complemento, meu porto meu tormento.

Nesse momento uma lagrima escorreu de meu rosto, e uma inveja trementa tomou conta de meu ser esse sentimento somou-se com meu sofrimento e sem perceber dei um urro de agonia. Pensei em parar de ler, mas tudo indicava que esse homem mesmo estando tão feliz tinha tirado a própria vida então decidi continuar lendo a carta.

Continua…